Fotógrafo retrata remoções em favelas do RJ por Copa e Olimpíada

11 de maio de 2014

Entre o final de 2012 e o início de 2013, o fotógrafo alemão radicado em Nova York Marc Ohrem-Leclef lançou-se a uma expedição pelo interior de favelas do Rio de Janeiro.

Seu principal objetivo era retratar as centenas de moradores de comunidades carentes afetados pelas remoções forçadas provocadas pela Copa do Mundo e pela Olimpíada de 2016.

“Tentei capturar o impacto humano em meio às políticas de remoção e dar voz ao pleito das pessoas atingidas por essa iniciativa”, afirmou Leclef.

“Tive conversas longas com as pessoas que queria fotografar, para dissipar a insegurança e as dúvidas delas sobre as minhas intenções. E, apesar das dificuldades que todos enfrentam, quando comecei a fotografá-los, todos revelaram um forte senso de otimismo que faz parte do lado humano que capturei”, acrescentou ele.

Durante sua jornada, o fotógrafo registrou moradores de 13 favelas direta e indiretamente afetados pelas desocupações forçadas, além de líderes comunitários que, junto a seus vizinhos, tentavam se organizar para impedir a ação da Prefeitura.

O resultado gerou duas séries fotográficas que deram origem ao livro de fotografia Olympic Favela (Favela Olímpica, em tradução livre), a ser publicado pela editora americana Damiani em junho deste ano.

Para viabilizar a publicação, Leclef também lançou uma campanha de financiamento coletivo (crowdfunding) no site Kickstarter.

Referências

A primeira série de imagens consiste em retratos de moradores de favelas fotografados em frente às suas casas, que foram designadas para a remoção pela Secretaria Municipal de Habitação (SMH) com números pintados nos muros.

O segundo grupo reúne retratos dos moradores segurando sinalizadores de emergência acesos.

Segundo Leclef, o uso do objeto envolve múltiplas referências, incluindo o quadro A Liberdade Guiando o Povo, de Eugène DeLacroix (1798-1863), e a Estátua da Liberdade, em Nova York, passando pela Primavera Árabe (a onda de protestos que varreu o Oriente Médio em 2011) e, claro, a tocha olímpica, o símbolo máximo da competição que será sediada pelo Rio de Janeiro em 2016.

“Essas imagens justapõem a dinâmica da celebração e da união com aquelas envolvendo a luta baseada na desigualdade sócioeconômica que os mega-eventos estão trazendo para o Rio de Janeiro e para os seus cidadãos”, diz o fotógrafo.

Mais informações sobre os trabalhos de Marc Ohrem-Leclef, você pode ver aqui.

Veja as fotos aqui.

 

Fonte: BBC Brasil

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